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21 fevereiro 2014

Copa no Brasil, PIB e os técnicos: cara-pálida...

Gustavo Girotto, jornalista 

Alguns resultados preliminares são dignos de uma boa reflexão. Poucos amigos, no máximo dois, conseguiram ingressos nos jogos – esse já é o pontapé inicial da abertura. Outro impasse, no meio campo, é o resultado de causa e efeito nos preços do famoso custo de oportunidade das bandeirinhas nacionais. Em Copacabana, ora noticiado na grande imprensa, um omelete de camarões grandes custa R$ 99,10. A receita leva seis camarões e, pasmem, quatro ovos. 

O misto quente em uma lanchonete custa a bagatela de R$ 17,90. Já o croissant, com o mesmo recheio de queijo e presunto: R$ 25,90. No aeroporto pipocam promoções e gols de placa: Combo com dois pães de queijo e um café R$ 16,00 – como se fosse o melhor espaço de arquibancada do estádio padrão cinco estrelas da Fifa. 

O custo dos estádios para a Copa do Mundo deve superar em mais de três vezes o valor informado pela CBF à Fifa, quando o Brasil apresentou seu projeto para sediar o Mundial. Cópia do primeiro levantamento técnico da Fifa sobre o País, noticiado pela imprensa, que foi fechado em 30 de outubro de 2007 é que as arenas custariam US$ 1,1 bilhão, cerca de R$ 2,6 bilhões. A última estimativa oficial, porém, dá conta de que o valor chegará em torno de R$ 8,9 bilhões. 

Alguns estudos divulgados também já elevaram para quatro vezes esse valor previsto – e o bandeirinha não deu nem sinal de impedimento. O discurso poético de aumento de investimentos em transporte público - para quem mora nos grandes centros urbanos - ainda está para inglês ver. O que fica claro, além de causar coceirinha na politicalha, é que se a seleção canarinho for eliminada ou perder uma final em casa - a bola sairá pela linha de fundo. O brasileiro é sentimentalista e, na conta final, associará que o País não está indo tão ‘bem’ como a propaganda. 

Choque de realidade pós 'farra' fictícia, uma vez que a conta chegará com juros. No jargão econômico, a prévia do PIB na próxima semana pode apontar uma recessão técnica - quando a economia encolhe durante trimestres consecutivos. Ou seja, é a retranca já armada para evitar tomar um gol nos 45 minutos do segundo tempo. 

Diante de todos os fatos, o que se percebe, é uma real ausência de bons técnicos em todas as pontas. Na arquibancada ou televisão, o que nos resta, é tão somente aguardar os resultados. E eles, os cara pálidas, suportarem nossas conclusões no apito final.

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